she's a mess of gorgeous chaos, and you can see it in her eyes

insomnia
enter my world | haven | soulful people

20.8.13

Untitled

E é bonito, isto de fingir que são hospícios, as pessoas. Logo a seguir bate uma racionalidade de quem nunca vai encontrar vivalma que se torne asilo por mim, por fim, só porque sim. Raios de sol vão nascendo como que nostalgia por entre os estores, e amores que deixei vão morrendo no meio de incensos findos. Vida que já não é vivida sabe bem por entre o trago de café sem açúcar - como sempre - que vai passando por mim e me deixa réstias de esperança no amor. Isto de fazer do café amor vai ter de acabar. 
Enquanto que penso que nunca irei sair do buraco negro, faço amor com as palavras e a minha escuridão torna-se melodia no papel, para que nunca se desligue o botão dos corpos humedecidos pelo calor - e pelo já derretido gelo das almas que se deixam morrer por aí. É tão belo saber que há amor na morte, e que ainda há quem morra de amor. Belo no sentido mais sádico da existência que venera a morte, como que alguém que viaja no comboio da meia-noite e que, distraída - ou instruída - se esqueceu de comprar o bilhete de retorno. Há vidas que merecem ser vividas a todos os segundos, e segundos que não merecem segundos nadas. A minha é uma segunda, e segunda opção torno-me, sem segundas oportunidades em segundos contados. 
Gostava de me ser todos os dias, e gostava que gostassem do que sou; do que sou realmente, e não do que me faço por ser, para que fiquem só por mais uns instantes. Amanhã vamos acordar - isto, se chegarmos a adormecer - e veremos o mundo certamente com outros olhos; ou de olhos fechados, quem sabe. Porque o mundo é belo e a escuridão somos nós, corpos destruídos pela brisa de almas cortantes e escondidas nas gavetas do suicídio. Um dia, digo eu. Um dia, talvez. O que as pessoas não sabem é que respiro a sério e inspiro, suspirando por um dia em que deixe de respirar - e que comece a amar e a receber troco. 
upon myself
monsters sharks homesick